transmissão de valores familiares

Category: Artigos

Pense rápido. Qual o principal legado que você irá deixar para seus filhos? Cultura? Educação? Patrimônio? Sem dúvida isso tudo é importante. Mas talvez o bem mais precioso –- e, mais do que isso, permanente — a ser transmitido sejam os valores familiares. A médio e longo prazos, eles incrementam a capacidade de os herdeiros descobrirem seus próprios caminhos e suas fontes de realização pessoal, além de ampliarem seus horizontes e, por tabela, as chances de preservação de bens tangíveis e duráveis.

Para tanto, porém, é preciso semear — e cultivar — atitudes que facilitem a continuidade desses princípios. Uma delas consiste em tratar os fatos com abertura e transparência. Outra: saber ouvir e responder perguntas, mesmo as mais difíceis, de uma maneira honesta. Atuar de forma consistente com aquilo que se diz, evitar mensagens incongruentes e participar ativamente da vida dos filhos de modo assertivo e acolhedor também ajuda, e muito, na construção de conceitos, que se consolidam a partir de experiências práticas.

O objetivo final, é bom lembrar, não é ter filhos ideais e sim ajudá-los a alcançar seus próprios ideais. “Torna-te o melhor que podes ser”, já dizia Nietzsche, o filósofo.

Hierarquia em xeque

É justamente no âmbito da família — uma entidade dinâmica e complexa que se altera e evolui no decorrer dos anos — que nos damos conta de quem realmente somos, até onde poderemos chegar e como nos posicionamos em relação aos outros. O problema começa quando, em função da uma sociedade pautada pela crescente inversão de papéis, a hierarquia familiar é colocada em xeque, o que muitas vezes incorre na ausência de poder e de limites das novas gerações, tão necessários para o desenvolvimento humano.

Diante disso, é fundamental determinar quais decisões cabem aos pais e até que ponto devem caminhar as negociações com os filhos. Ser firme, mas de maneira carinhosa, mantendo seus valores e suas crenças: eis o que se espera de pais conscientes de seu importante papel de orientadores e educadores.

Escrito por Renata Bernhoeft