os conselheiros e os indicadores financeiros

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a função dos conselheiros é monitorar a gestão das empresas, agregar valor, aprovar o planejamento estratégico e acompanhar sua execução, cobrando o principal gestor
por medidas corretivas quando os objetivos não estiverem sendo alcançados. uma parte significativa deste trabalho depende de análise de indicadores financeiros e, para que ele seja bem feito, é preciso ir além dos relatórios tradicionalmente difundidos.

para isso, os conselheiros precisam de um instrumento que lhes permita acompanhar a evolução da companhia, daí a importância de um relatório financeiro que sumarize e interprete todas as informações necessárias para isso. um processo adequado, que possibilite aos conselheiros monitorar e contribuir com o ciclo de gestão por meio de números, é estruturar um conjunto periódico de informações que os ajude a entender se a execução do plano estratégico tem aderência ao que foi pactuado. mais que isso, os indicadores devem permitir avaliar se o retorno está sendo garantido.

conselheiros devem representar os interesses dos acionistas e, para tal, precisam receber as informações financeiras com regularidade suficiente para que possam agir junto aos gestores principais, propondo alterações de rota a tempo, se for o caso. geralmente, estas informações são entregues mensalmente ou, no máximo, trimestralmente, com uma consolidação no final do ano.

o contexto é diferente quando os próprios sócios são os executivos. com essa mistura de papeis, pode não haver consciência da necessidade de uma reunião formal para
prestar contas aos conselheiros, neste caso provavelmente eles mesmos. mas quando as empresas chegam à segunda ou terceira geração, e muitos sócios, por seguirem novas opções de vida e carreira, já não participam mais da gestão, é preciso criar um fórum, geralmente o conselho de administração, para que os indicadores financeiros sejam apresentados, avaliados e discutidos.

uma vez com o conselho formado, toda empresa deveria analisar e formalizar processos para a apresentação de indicadores relevantes. estes processos tendem a ser mais formais, quanto mais as características da companhia exigirem isso. o fato é que a maioria das empresas, principalmente as que já têm uma governança mínima entre seus sócios, precisa desta matéria-prima para que os conselheiros possam cumprir seu papel de supervisionar a execução do plano de negócios.

formato produtivo

no momento em que a gestão da empresa adota a prática de apresentar dados financeiros ao conselho, é preciso que haja cuidado com a formatação dessa informação para que ela seja produtiva. a questão prática é: não adianta entregar mensalmente um livro de 200 páginas com dados e números da companhia. os conselheiros precisam receber informação de forma agregada e com clareza dos grandes direcionadores que explicam o desempenho.

no posicionamento mês a mês, é importante que se compreenda o resultado do período, depois a posição financeira e, finalmente, o fluxo de caixa. estes três relatórios compõem o que chamamos de pacote de acompanhamento, que vai ajudar o conselheiro a acompanhar como está a execução do plano de negócios da empresa.

isso significa que o documento precisa contar com análises dos executivos sobre as razões do desempenho bom ou ruim no período coberto por aquele relatório, o que inclui relatos e justificativas, positivas ou negativas, sobre receitas, impostos etc., comparando-os com o mesmo período do ano anterior. este é um ponto importante: as comparações devem contemplar períodos iguais. não adianta comparar resultados de vendas de dezembro e janeiro, por exemplo, quando é consenso que janeiro é mais fraco. toda informação precisa ser contextualizada.

por exemplo: as vendas subiram ou caíram, mas de onde veio esse movimento? nos relatórios financeiros, esta informação é identificada como MD&A (da sigla em inglês: gerenciamento, discussão e análise). Na prática, trata-se de uma parte do relatório escrita, onde os analistas explicam as razões do movimento, se ele está dentro ou fora do orçamento, se está alinhado ou não ao que foi planejado. é importante que todo pacote de acompanhamento contenha o MD&A acompanhando seus relatórios.

informações específicas

todo este processo é necessário e para que ele faça sentido é preciso entender a necessidade de cada empresa e de cada tipo de atividade. é possível, por exemplo, desenvolver também um conjunto de indicadores específicos, dependendo do setor de atuação da companhia. a partir da primeira visão fornecida pelo pacote de acompanhamento, é possível quebrar a informação por unidade de negócio.

por exemplo, os relatórios produzidos para empresas do setor de papel e celulose devem apresentar a receita e custo por tonelada. é um indicador diretamente relacionado à produtividade desta atividade. na área de energia, deve-se informar a receita gerada por megawatt/hora. Este tipo de informação também é
relevante para o acompanhamento dos conselheiros.

outro ponto importante é apresentar, dentro dos indicadores, algum instrumento que traduza de forma específica, em médio ou longo prazo, o que foi pactuado no plano de negócios, que geralmente tem uma visão de três ou cinco anos. isso porque o conselheiro precisa saber, também, se os resultados de curto prazo estão aderentes aos objetivos de longo prazo.

com este conjunto de informações nas mãos, os conselheiros têm subsídios suficientes para ajudar a empresa a fazer correções de rota, investir onde pode gerar mais valor, e a não investir em iniciativas que podem destruir valor.