a autonomia de uma nova família

Category: família

as novas formas de organização humana vêm adquirindo complexidades jamais imaginadas até bem pouco tempo atrás. E um dos principais reflexos dessas transformações sociais, culturais e tecnológicas é a possibilidade de vivenciarmos nossas relações afetivas de maneiras diversas, sem que o mundo que nos cerca se sinta chocado ou agredido.

Não por acaso, a variedade dos modelos que denominamos “família” e “casal” traz como vantagem o estabelecimento de relacionamentos mais igualitários e criativos. E, sobretudo, mais tolerantes. Uma premissa básica, no entanto, se mantém imutável: o nascimento de uma nova família sempre se dará a partir do encontro de duas pessoas, que juntas constroem uma “conjugalidade”. Portanto, o famoso grito de independência “enfim sós!” — tradicionalmente proferido pelos noivos após desfrutarem dos seus primeiros momentos de privacidade –não reflete a verdade. Afinal, um jovem casal nunca está só, mesmo isolado entre quatro paredes. Cada um traz em sua bagagem emocional uma história familiar que servirá como modelo de funcionamento para essa nova união.

É nesse ponto que a família que está nascendo descobre que deve estabelecer algumas negociações para se consolidar e sobreviver. O casal se questiona: O que estamos dispostos ou não a compartilhar nessa relação? Onde vamos morar? O que vamos comer? Como vivenciaremos as tradições e os rituais de nossas famílias de origem? Vamos ter filhos? Essas e outras tantas ponderações trazem à tona crenças, valores, mitos, desejos, regras e expectativas dos scripts tecidos em suas famílias de origem. E por isso devem ser bem negociadas e definidas, uma vez que terão reflexo no contexto familiar.

A escolha de um cônjuge para dar início a uma nova família pode estar vinculada à vontade de construir uma história de união em torno de objetivos como amor,
filhos e amizades. Mas, quando isso ocorre com o objetivo de alimentar provocações, brigas e rompimentos, a identidade do casal é afetada, tendo consequências
para a geração seguinte.

Qualquer jovem casal que deseje atingir sua autonomia conjugal deve se diferenciar emocionalmente de suas famílias de origem e definir fronteiras que garantam
o bom funcionamento deste novo subsistema. Isto é, fazer um novo ‘re-trato’ familiar, adaptando-se à separação de um de seus membros ou à inclusão de outro.