comunicaçãoo em busca de soluções

Category: família

você pode imaginar o quanto impregnamos nossas relações cotidianas com julgamentos de toda espécie? Como contaminamos nossas relações quando nos alteramos com emoções que nos arrebatam e nos tiram do prumo? o quanto nossas opiniões podem nos manter distantes das pessoas e de nossas reais necessidades?

todos sabem que a comunicação pode ser um poderoso instrumento para solucionar problemas, se utilizado com consciência e inteligência. grande parte das dificuldades
entre casais, pais e filhos, empregados e empregadores, vizinhos, sócios, etc., pode ser amenizada, solucionada e frequentemente evitada apenas com palavras. é aqui que entra a Comunicação Não-Violenta.

a Comunicação Não-Violenta, ou CNV, é um método estruturado por Marshall Rosenberg, psicólogo americano da escola humanista da psicologia. nesta metodologia, cada pessoa assume a responsabilidade por suas emoções, ou seja, não importa o que o outro fez, mas o que eu faço com aquilo que ele fez. trata-se de assumir o seu
próprio poder e, ao contrário da vitimização, escolher um caminho para transformar aquela situação ou conflito.

maslow nos mostrou que os seres humanos são movidos por necessidades como nutrição, segurança, autonomia, compreensão, criatividade, afeto, diversão, descanso, espiritualidade. quando alguma dessas necessidades não é atendida, o indivíduo reclama. se esta situação é recorrente, permanente ou intensa, manifesta-se como
um conflito, que pode escalonar e manifestar-se de maneira violenta.

para Rosenberg, cada reação violenta é uma manifestação trágica de uma necessidade não atendida. ocorre que todos nós temos necessidades e para que se estabeleça uma relação saudável é preciso que elas sejam compreendidas e, de alguma forma, atendidas. em sua obra “Comunicação Não-Violenta – técnicas para aprimorar relaciona-
mentos pessoais e profissionais”, Marshall cita uma frase do poeta Rumi: “para além da ideia do certo e do errado há um campo. eu me encontrarei com você lá”.

seria muito saudável se as pessoas fossem “alfabetizadas em CNV”. esta é uma habilidade que pode ser desenvolvida a partir da prática cotidiana. Nascemos com esta capacidade. a criança quando se comunica de forma inocente e autêntica, mostra o que poderia ser nossa comunicação. mais tarde reproduzimos os modelos que aprendemos pela cultura educacional cheios de filtros e deformações. privados da comunicação autêntica, perdemos esta capacidade ao longo da vida, impulsionados a nos esconder atrás de uma máscara de bondade e obediência, aprisionando nossos sentimentos e nossas necessidades mais básicas, em uma verdadeira “escravidão” para agradar as outras pessoas.

de todo modo, se é no seio das famílias que os conflitos são mais frequentes, é também ali que se encontram as melhores condições para o exercício da CNV. o afeto e os vínculos existentes – amor, confiança, cuidado – podem melhorar ainda mais a conexão entre seus membros. aplicada às relações familiares, a CNV promove, com segurança, uma escuta com presença, mais interessada e profunda. Uma fala mais autêntica. uma compreensão mais empática.

a prática dentro da família pode se dar nos mais simples encontros cotidianos, a partir da consciência e mudança dos hábitos da comunicação superficial para uma comunicação mais cuidadosa, seguindo os 4 passos da CNV:

  1. 1-observação: dizer o que observa sem julgar, sem fazer inferências e sem relacionar com outra situação
  2. 2-sentimento: relacionar seus sentimentos às suas próprias expectativas e não a ação do outro
  3. 3-necessidade: nomear com clareza suas necessidades, o que você precisa, valoriza e aprecia
  4. 4-pedido: usar palavras, expressões e gestual de solicitação, não de ordem

a CNV é um belíssimo exercício para criar soluções criativas e sustentáveis, já que se preocupa com a autenticidade das expressões das necessidades de cada indivíduo. Percebemos na Comunicação Não-Violenta um especial potencial para a felicidade na medida em que somos convidados a aprender mais sobre nós mesmos, a compreender melhor as nossas próprias necessidades e as necessidades do outro, a compreender melhor nossos próprios pedidos e os pedidos do outro e também a saber nos colocar no lugar do outro, nos interessando mais por nós mesmos e pelo outro.