Empresas Randon

Category: sucessão

65 anos de estrada

O foco constante nos valores da família – união, empreendedorismo, religiosidade responsabilidade social e simplicidade – vem garantido a continuidade desta família empresária, vencedora do Prêmio Família Empresária 2014

As Empresas Randon completaram este ano 65 anos de atuação. Ao longo deste período, a companhia, que começou como oficina mecânica, cresceu e chegou a 2014 como um grupo formado por dez empresas com atuação nas áreas de veículos e implementos, autopeças e serviços financeiros. A família dos fundadores, Hercílio e Raul Randon, também cresceu e, sem perder a unidade, vem sendo a grande responsável pela pujança da empresa.

Não por acaso a família Randon é a vencedora do Prêmio Família Empresária 2014, promovido pela höft – transição de gerações, mas até aqui foi um longo caminho. A história das Empresas Randon começa em 1949 com a pequena oficina em Caxias do Sul (RS).

Nos anos 50, a companhia dos irmãos Randon cresce com a criação da Mecânica Randon e o início da fabricação de freios a ar para reboques, desenvolvidos para enfrentar os grandes declives da região da Serra Gaúcha; e da fabricação do terceiro eixo para caminhões. Nos anos 60, começa a fabricação dos primeiros semirreboques, do terceiro eixo para carretas e do sistema de suspensão tipo balancim.

Visão e inovação

Na década seguinte, depois de uma viagem à Europa, os irmãos Randon investem em uma nova fábrica de 40 mil metros quadrados. A empresa abre o capital para ampliar sua capacidade de produção e começa a fabricação de veículos fora de estrada. Com a criação da Randon Veículos, torna-se a primeira montadora genuína de veículos automotores do Sul do Brasil.

Nos anos 80 começa o processo de diversificação, com a fundação da Freios Master – uma joint-venture com a norte-americana ArvinMeritor – e da Administradora de Consórcios Randon. O processo continua na década seguinte com a incorporação da Fras-le e a fundação da Randon Argentina e da Jost Brasil, joint-venture com a alemã Jost-Werke. O acordo demonstra a visão global dos fundadores, que buscam produtos de excelência e trazem tecnologia para o mercado. A nota triste do período fica por conta do falecimento de Hercílio Randon, em 1989.

Já nos anos 2000 vem a fundação da Suspensys, nova parceria com a ArvinMeritor; e a fundação da Castertech. Ali a Randon já estava consolidada como uma marca de referência global, com parceiros estratégicos de classe mundial e posicionada entre as maiores empresas privadas brasileiras, líder em seus segmentos de atuação e exportando para todos os continentes.

A trajetória das Empresas Randon tem algumas características marcantes. Em toda a sua história, a companhia esteve focada no seu negócio, aproveitando as oportunidades de mercado para diversificar e inovar. A empresa também sempre teve parte relevante de seus investimentos direcionada à preparação e qualificação de pessoas, atualização tecnológica de máquinas e processos, pesquisa e desenvolvimento e tecnologia da informação, além da constante ampliação da capacidade produtiva para atender as demandas de mercado.

O grupo também consolidou sua forte presença como agente promotor de ações de sustentabilidade. Isso por meio de políticas claras voltadas ao meio ambiente, recursos humanos e responsabilidade social, essa última gerida pelo Instituto Elisabetha Randon, nome dado em homenagem à mãe dos fundadores. Em paralelo ao crescimento da empresa ocorre o desenvolvimento da família. Raul se casa com Nilva e, juntos, consolidam uma cultura familiar de muitos valores.

Bases da família empresária

Ao longo dos anos 80 e 90, quatro dos cinco filhos de Raul vão se incorporando à companhia. Uma característica bastante marcante é a formação profissional dos membros da segunda geração, com uma grande participação de dona Nilva, que era educadora e acompanhava de perto o desempenho dos filhos. Esta evolução os levou a assumir responsabilidades cada vez maiores nas empresas da família.

Uma nova conformação, adotada em junho deste ano, marcou a saída da segunda geração das atividades operacionais. David é o presidente-executivo do grupo; Alexandre, vice-presidente do Conselho; Daniel é vice-presidente administrativo financeiro; e Maurien, diretora do Instituto Elisabetha Randon. Raul, o fundador, continua como presidente do Conselho. A única que não seguiu na companhia foi Roseli, que é médica especializada em nefrologia pediátrica e leciona na UCS (Universidade de Caxias do Sul).

De acordo com Alexandre Randon, as posições ocupadas hoje são fruto de um projeto de sucessão iniciado há mais de dez anos. “Em 2002 iniciamos o planejamento sucessório, que começou com a criação de um comitê do qual meu pai não participava”, conta. Ficou definido ali que ele e David tocariam a operação das empresas e os dois se reportariam diretamente ao pai.

Para Raul, o processo deveria resultar em uma decisão consensual entre os irmãos. “Eu sempre disse aos filhos que eles deveriam chegar a um acordo sobre quem me substituiria, porque eu não ia indicar ninguém”, disse o fundador em 2009, quando o processo foi oficializado. Naquele ano marcante na história da companhia, David assumiu a presidência executiva e Alexandre tornou-se vice-presidente administrativo financeiro.

O processo, realizado com a participação da höft – transição de gerações, incluiu o processo de formação da segunda geração, para que aprendessem a ter uma visão do negócio como investidores. Aqui foram incluídos desde conhecimentos básicos sobre balanço financeiro até as implicações de ter como sócios fundos de pensão ou fundos de investimento, passando pela definição do projeto de vida de cada membro da segunda geração. Essa profissionalização traria ainda três efeitos.

O primeiro deles foi a criação de um Conselho de Família, estruturando os temas de família e patrimônio de maneira profissional e independente da empresa. O segundo foi a entrada de membros independentes no Conselho de Administração. Em paralelo, a família definiu as características que o novo líder deveria ter: grande capacidade de diálogo e de levar a companhia a ter uma presença mais forte no exterior. E por fim, a doação da participação do casal fundador aos seus filhos.

A decisão final dos irmãos, com a indicação de David para a presidência do grupo, só foi tomada pouco tempo antes do prazo para a eleição dos novos conselheiros e diretores. Para escolha, pesaram também a experiência internacional do executivo, que havia presidido a Randon Argentina, e o fato de ele estar na companhia há 25 anos. Na época, Alexandre assumiu a vice-presidência do Conselho de Administração e a vice-presidência executiva da companhia e Daniel era diretor-superintendente da Fras-le, uma das empresas do grupo.

Alexandre conta que as mudanças de cargos ocorridas em junho de 2014, foram planejadas juntamente com os executivos da companhia durante quase um ano. Com elas, os irmãos afastaram-se da operação das empresas. “A mudança foi grande e histórica porque consolidamos mais uma etapa da sucessão: hoje todos os membros da segunda geração ligados à empresa estão fora das unidades operacionais”, comemora.