Grupo Simões

Category: sucessão

Família e empresa em constante evolução

Vencedor do Prêmio Família Empresária 2013, o Grupo Simões mostra na prática como família, patrimônio e empresa podem seu ritmo de crescimento e evolução ao longo de décadas

O Grupo Simões, um dos maiores do País, completa 70 anos este ano. São sete décadas de uma história marcada pela inovação. Afinal, quem mais além dos fundadores – Petrônio Pinheiro, Antonio Simões e Osmar Pacífico – teria pensado em abrir, nos anos 70, a primeira franquia da Coca-Cola no Norte do Brasil.

É por lances como este, acompanhados pela evolução das famílias, que se mantêm à frente dos negócios, é que o grupo é vencedor do Prêmio Família Empresária 2013. Em sua quarta edição, o prêmio reconhece na família Simões, cujo primeiro negócio deu origem ao grupo, em 1943, um exemplo de família empresária, dedicada a garantir a continuidade de suas empresas e de seu patrimônio de forma estruturada e harmoniosa.

Essa história começou, na verdade, no início dos anos 40, quando Antonio de Andrade Simões, então com 19 anos, criou a Sorveteria Moderna. Alguns anos depois, em 1957, torna-se também sócio da Panificadora e Pastifício Guarani Ltda., a Papaguara. É no finalzinho dos anos 60 que o grupo Simões começa a tomar a forma conhecida hoje. Foi nesta época que Antônio Simões ligou-se aos dois sócios de toda a vida: Osmar Pacífico e Petrônio Pinheiro.

Em 1970, os três inauguram a primeira fábrica da Coca-Cola na região Norte. Dali em diante, só cresceram: em 1974 foi inaugurada a Gás da Amazônia e iniciada a produção do guaraná Tuchaua. Em 1976 o grupo adquiriu a Compar e, três anos depois, inaugurou a Rio Branco Refrigerantes.

O ritmo não diminuiu na década de 80, com o início das atividades das fábricas de refrigerantes em Amapá e Marabá e o início da produção e comercialização da água mineral Belágua, em 1984, e a inauguração da Roraima Refrigerantes no ano seguinte. Até o final dos anos 80 seriam inauguradas também a Cacoal Refrigerantes e a Gás Carbônico de Rondônia. Todo este esforço foi reconhecido pela Coca-Cola, que elegeu o grupo como o “Fabricante da Década”.

Organização familiar

Ainda nos anos 80, em meio ao crescimento acelerado a empresa começou a demonstrar preocupação com a sucessão de seus franqueados. Alguns não estavam obtendo bons resultados e, por conta disso, foram indicados a consultorias especializadas. Ali, o Grupo Simões dava seus primeiros passos para implementar práticas de governança internamente.

“Até ali, éramos um típica empresa familiar. Meu avô era o presidente e meu pai e meus tios, todos, eram diretores”, lembra Vanessa Simões, neta de Antonio Simões e hoje membro do Conselho de Família. O modelo fazia com que o envolvimento da família com a empresa fosse total. “Eu fui criada praticamente dentro da empresa”, diz Vanessa.

Mas a preocupação com a organização da família e continuidade da empresa estava presente. Em 1986, foram criadas três holdings – Sipasa, Juma e Apart -, que passaram a ser as controladoras das empresas do grupo. De acordo com Vanessa, todo o patrimônio das famílias foi para as holdings e dividido de maneira igual entre todos os herdeiros.

Com a nova formação, Renato Simões assumiu a presidência das empresas e seu pai foi para a presidência do Conselho. Nessa época a companhia começou a mesclar diretores familiares e não familiares. Tudo caminhava bem, mas durante os anos 90, um baque: entre os anos de 1992 e 1998, a companhia perdeu seus três fundadores.

Um novo caminho

 “Com o falecimento do meu avô, percebemos que a família já não era mais bem vista dentro da empresa”, diz Vanessa. Além disso, havia uma concentração de poder e decisões nos familiares que estavam dentro da empresa. Havia desconforto entre os demais e os membros da terceira geração, já adultos, sentiam-se distantes do dia-a-dia da companhia.

Mas este desconforto, ao invés de crise, gerou ação. No início  de  2000, percebendo que algo precisava ser feito, os três sócios, com a ajuda de consultorias especializadas iniciaram a grande virada: a discussão e a implementação de práticas de governança familiar, societária e corporativa. Vanessa lembra que, a partir dali, foram quase dois anos de reuniões e debates. A família foi dividida em grupos – cônjuges, herdeiros e sócios -, que discutiam o que esperar da empresa e da família.

“O resultado desse processo não foi uma peça pronta, mas o que as famílias queriam como acordo societário”, revela. O processo eliminou resistências, divergências e, em março de 2004, foi assinado o primeiro acordo societário do Grupo Simões, com a participação de representantes das três gerações e de seus cônjuges. O acordo, segundo Vanessa, normatiza as mais diversas regras de convivência, como a proibição de filiação a partidos políticos; como sair da sociedade; critérios para que a família trabalhe na empresa; e a criação do Conselho de Família.

“Não tínhamos ideia do que era um Conselho de Família, mas visitamos várias empresas para entender o conceito. Feito isso, o adaptamos para nossa família”, explica Vanessa. Ela lembra que esta era uma das preocupações da família: não copiar nada que já existisse, mas criar algo que atendesse a realidade e as demandas da família. Não por acaso, o Conselho de Família do Grupo Simões é hoje uma referência, servindo de exemplo a várias outras famílias empresárias que hoje os procuram para conhecer e servir como inspiração.

Depois de seis anos, mais madura, a família fez a primeira grande revisão do acordo societário. O processo trouxe melhorias, novos pontos a serem abordados e, principalmente, ampliou a participação dos herdeiros. Neste, participaram todos os que se casaram depois de 2003 e os que, naquela época, tinham menos de 18 anos. Em 2010, com uma grande festa, a família assinou a segunda versão do acordo. Ao longo deste processo, Vanessa lembra que a família procurou manter a tradição e fazer com que todos participassem e se sentissem parte do negócio.