Jacto – gerações 2010

Category: sucessão

Ela merece!

O prêmio Família Empresária 2010 coloca em destaque a importância das iniciativas da Jacto em matéria de continuidade

Cem por cento brasileiro, com mais de 60 anos de história e mais firme, forte e atuante do que nunca. Desde que foi fundado, em 1948, no município paulista de Pompeia, o Grupo Jacto continua sob o controle da mesma família e no mesmo ramo de atividade. Indústria produtora de máquinas agrícolas com mais de dois mil funcionários, hoje é considerada a maior fabricante global de pulverizadores, exportando para mais de 110 países nos cinco continentes.

Em meio à convivência de duas gerações adultas de sócios familiares, a consistência e a transparência de seu planejamento sucessório – fundamentais para a longevidade da companhia – foram decisivas para que fosse escolhida a Família Empresária 2010, prêmio inédito concedido pela höft – bernhoeft & teixeira.

Todos por um

Vencedor do Prêmio Família Empresária 2010, o Grupo Jacto revela sua fórmula de sucesso: calcar seu negócio em valores sólidos, priorizar a dedicação ao trabalho e cultivar a boa convivência familiar

Assim como acontece em muitas famílias empresárias, o processo sucessório do Grupo Jacto sofreu alguns reveses. Dos sete herdeiros do Sr. Shunji Nishimura – jovem imigrante japonês que fundou a empresa, em 1948, dois, em momentos diferentes, ocuparam a cadeira da presidência depois que o patriarca resolveu deixar o cargo, no início dos anos 1980. “Durante esse período, houve ocasiões de conflito entre os irmãos, principalmente na forma de gerir a companhia”, diz Jorge Nishimura, filho mais novo do fundador e atual presidente do Conselho de Administração da empresa.

A fim de aplacar a crise, o fundador decidiu trazer, diretamente do Japão, um amigo e empresário para assessorá-los. O resultado do intenso trabalho de “mentoring oriental”: em um gesto simbólico os irmãos prometeram jamais se separar. Logo em seguida, o grupo indicou o terceiro herdeiro, Shiro, para assumir o comando da organização, na qual permaneceu por sete anos.

Os problemas relacionados à transição da primeira para a segunda geração, no entanto, fizeram soar o alarme. A partir de então, a família tratou de estruturar um modelo societário capaz de separar e administrar os interesses da família, da propriedade e da empresa.E, mais do que isso, contemplar a perspectiva dos sócios na gestão e fora dela, controlar a pulverização da sociedade e preparar os integrantes da terceira geração para o papel de sócios.

A primeira providência foi criar o Acordo Societário, um importante mecanismo instituído em nome da proteção e a eficácia societária. O documento, concluído em 1996, define as diretrizes de representação, eleição e afastamento do sócio gestor, a relação dos acionistas com os gestores e dos acionistas familiares com a empresa, as normas relacionadas à distribuição de dividendos etc. “No momento, estamos iniciando um processo de desenvolvimento  de uma nova versão do acordo, com envolvimento da segunda e da terceira gerações, com a intermediação de uma consultoria externa”, explica Jorge.

No que se refere ao sistema de governança, além do Conselho de Administração – hoje composto pelos cinco irmãos da segunda geração, além de representantes da terceira e dois membros independentes –, a empresa passou a contar com outros tantos fóruns de diálogo. Entre eles, o Conselho da Holding (composto por acionistas da segunda geração e suplentes da terceira) e o Conselho da Terceira Geração (cuja faixa etária varia de 23 a 37 anos). Sem falar no Escritório de Família (ou Family Office) que, considerada uma estrutura relativamente nova para a maioria das famílias empresárias no Brasil, em breve ajudará na gestão do patrimônio dos Nishimura.

O próximo passou foi a definição dos princípios, os valores e visão da família empresária, em consonância com os da organização. “No que se refere à gestão administrativa, outra iniciativa da empresa foi investir pesado em treinamento e desenvolvimento de lideranças, o que incluiu cursos de MBA para cerca de 200 gestores, familiares e não familiares”, lembra Jorge.

Com um sistema organizado e bem estruturado de governança, mais aberto ao diálogo entre os sócios e à tomada de decisões coletivas e integradoras, o terreno estava preparado para a sucessão. Na ocasião, a escolha do novo presidente da Jacto recaiu sobre um executivo não familiar. Aos 60 anos de idade, Shiro passou o timão da companhia a Martin Mundstock, há três anos no comando do grupo.