WEG

Category: sucessão

Pioneira em motores elétricos e planejamento da continuidade

No ano em que completa 54 anos de atividades, a companhia apresenta o mesmo vigor de seus resultados nas instâncias família e patrimônio. Este equilíbrio levou à conquista do Prêmio Família Empresária 2015

Nos últimos cinco anos, a receita da WEG cresceu 42% e sua receita líquida saltou de US$ 1,9 bilhão, em 2010, para US$ 2,7 bilhões em 2014. A companhia conta hoje com 32 mil funcionários em 17 países ao redor do mundo, mantendo fábricas em 11 deles. Algo surpreendente para uma empresa que nasceu há 54 anos, com o capital equivalente, na época, a três fuscas.

A trajetória da companhia, seus três fundadores e suas famílias levaram a WEG à conquista do Prêmio Família Empresária 2015. Mais que aos resultados, o prêmio reconhece o equilíbrio alcançado pelas famílias Voigt, Silva e Werninghaus na construção de uma relação saudável entre os sócios e herdeiros dos fundadores, na convivência dentro e fora da empresa.

Essa relação vem sendo construída desde 1961, quando a WEG iniciou suas atividades na cidade de Jaraguá do Sul, em Santa Catarina, fabricando motores elétricos.

Os fundadores

O caminho de sucesso empresarial de Werner Ricardo Voigt, Eggon João da Silva e Geraldo Werninghaus começou em 16 de setembro de 1961, quando os três fundaram a Eletromotores Jaraguá. Anos mais tarde, a empresa criada por um eletricista, um administrador e um mecânico viria a ganhar uma nova razão social, a Eletromotores WEG S/A. O nome é a junção das iniciais dos três fundadores: Werner, Eggon e Geraldo.

Disciplina e harmonia

Desde a criação da companhia, os três sócios tiveram suas funções claramente definidas: Eggon cuidaria da administração e do relacionamento com o mercado, enquanto Werner e Geraldo seriam os responsáveis pela área técnica e pelas linhas de produção. Outra definição feita na fundação, e mantida até hoje, foi a de que o controle seria compartilhado em partes iguais pelas três famílias. Esta decisão foi fundamental para a continuidade na perspectiva de uma estrutura multifamiliar, ou seja, três culturas de origem em cada núcleo, e a necessidade de fundamentar os pilares para o futuro.

Esta premissa fez com que o tema sucessão começasse a ser debatido entre os sócios desde 1976, já demonstrando sua disposição para o alinhamento entre as famílias. Com o forte crescimento, os fundadores sentiram a necessidade de estabelecer regras para a participação dos parentes na empresa e juntos redigiram o “Acordo de Princípios WEG”.

“O documento, dividido em três capítulos, deu um tratamento institucional à questão da sucessão familiar e estabeleceu as bases e a filosofia para a empresa”, comenta Marcia Silva Petry, coordenadora do Conselho de Família da WEG e membro da segunda geração.

Na época os três fundadores se comprometeram a manter o controle acionário (51% das ações) no cofre da empresa. “Nos anos seguintes, instrumentos jurídicos e um conjunto de ações de integração e educação das próximas gerações, das famílias dos fundadores, foram colocados em prática. Desde 1975 acontecem reuniões semestrais com todos os membros das famílias, de todas as idades, com o objetivo de buscar a união, o entendimento e a harmonia necessária para perpetuidade da empresa”, explica Marcia. Os encontros continuam ocorrendo regularmente e além de apresentar os resultados da companhia, contam agora com a presença de palestrantes especializados em economia, psicologia, educação, e temas relevantes para a família em seu papel empresarial.

Novas formas de desenvolvimento da segunda, terceira e quarta gerações são decididas pelo Conselho de Família, formado pelos membros da primeira geração e por seis membros familiares, sendo dois representantes de cada núcleo, de distintas gerações, eleitos a cada dois anos. Além de ser o guardião do Acordo de Acionistas, o grupo tem a responsabilidade de garantir a integração entre os familiares, o conhecimento e o acompanhamento da evolução da empresa e a educação continuada dos acionistas.

Seguindo esta estruturação, em 1978 foi criada a WPA Adm. e Serviços S.A., uma holding que congrega as três famílias e detém o controle do grupo WEG, administrando o patrimônio e os resultados obtidos pelas famílias dos três fundadores. Passados 20 anos de sua criação, em 1998 foi revisado o Acordo dos Acionistas da WPA, contemplando a participação da segunda e terceira gerações.

A WEG é a empresa de operação, já a WPA é uma empresa patrimonial, que hoje inclusive investe em diversificação e novos negócios, atuando como acionista.

Em março de 1989 aconteceu a primeira sucessão executiva na WEG S/A. Planejadamente Eggon deixou a presidência executiva, assumindo a liderança do Conselho de Administração, e seu filho, Décio da Silva, tornou-se o presidente da empresa. Para assumir o cargo, Décio se preparou durante muitos anos, e teve que passar por uma prova de fogo: diretores e acionistas da empresa foram entrevistados por uma consultoria, que buscava saber quem acreditavam ser o melhor candidato para assumir a liderança da empresa. Eggon votou contra o nome do filho, mesmo assim Décio foi nomeado com o voto favorável dos outros dois fundadores e assumiu a presidência aos 35 anos.

Hoje a governança da WPA, controladora das empresas, conta com um Conselho de Família, seu próprio Conselho de Administração, e uma Diretoria Executiva. Por sua vez, a estrutura da WEG S.A. é composta pelo Conselho de Administração, Conselho Fiscal e uma Diretoria Executiva. Marcia lembra que o processo de criação e organização dos Conselhos sempre se baseou nos princípios WEG.